Corrijam-me se eu estiver equivocado. Mas sucede que cada vez me sinto mais intrigado com essa maravilha do entretenimento doméstico denominada de "Guitar Hero". A minha mãe conta sempre que, ainda de xuxa na boca, ficava fascinado e empedrecido frente à televisão a observar e a simular (em jeito de imitação) os artistas que lá apareciam. Orgulhosamente saudosista, a minha querida mãe conta sempre que, ainda pequenino e de fraldas, aquele que aqui vos escreve trauteava o "Message in a bootle" dos Police, ainda antes da fase Cantigas da Minha Escola (da saudosa Cândida da Branca Flor) ou "Brincando aos clássicos" (dos míticos rebentos da Ana Faria, os Queijinhos Frescos) com elevado rigor artístico. Existe também uma fotografia de um dos meus primeiros natais em que, trajado a rigor com um boné altamente radical (quais Limp Biskit ou bandas new-metal)e empunhando uma daquelas guitarras de plástico a dizer "fadista" que se ofereciam aos putos, cheias de doces lá dentro, se comprova a minha precoce paixão pela música. Para além dos mega-concertos improvisados no meu quarto agarrado a uma raquete, a oferta da minha primeira guitarra no Natal de há não sei quantos anos mudou a minha vida para sempre. A minha paixão pela música, apesar de uma proto-fase anterior, atingiria aí uma fase fulcral. Depois foram as aulas, a troca de sabedoria musical na escola, ouvir discos clássicos e tentar imitar e reproduzir o que se ouvia. De seguida vieram as primeiras bandas, os primeiros concertos e a coisa foi ficando séria até aos dias de hoje. Tocar guitarra, para além do prazer que se tem, não é fácil: sentir os dedos em sangue ou uma corda que se parte e nos magoa, de maneira sangrenta o dedo, fazem-nos criar amor pelo instrumento e pela música.
