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segunda-feira, 4 de abril de 2011

oportunidade perdida

Como benfiquista, admito sentir uma enorme azia pelo facto do justo título de campeão ter sido entregue ao FC Porto em pleno relvado do Estádio da (falta de) Luz.
Não contesto a vitória portista e aceito-a com naturalidade: foram melhores, foram regulares, apresentaram um futebol agradável, racional e cilindraram o segundo classificado na primeira e na segunda voltas da prova. 
Para além dos factores derivados da própria estrutura portista, beneficiaram do facto de, à 4ª jornada, o título estar praticamente entregue devido à derrocada encarnada, em Agosto, e ao marasmo verde e branco, demonstrado ao longo de toda a época.
O Porto ganhou um campeonato de forma fácil mas com empenho e seriedade.
Ao contrário de muitos outros, que a esta hora já espancaram a mulher como manifestação espontânea de uma frustração vergonhosa, endereço, desde já, os meus parabéns aos portistas. E tenho muitos na família...

Futebóis à parte.
Portugal perdeu ontem uma excelente hipótese de transmitir às novas gerações que amam o futebol um exemplo de cordialidade, galantismo e elevação.
Ao invés, o espectáculo que fez ontem à noite parar o país reflectiu o porquê deste país manter-se num limbo (prestes a cair ao inferno) em termos de valores e cidadania. Se nos queixamos dos políticos e da sua falta de valores e ética, o que dizer daqueles que compõem o eleitorado? Ou seja... o "povo".
A crise começa em nós. Nós, portugueses, somos o grande factor da crise que se depara sobre nós!
Espero um dia que o meu filho perceba que a vida é feita de sucessos e momentos menos bons. 
Depois da pobreza a que assistimos, própria de um país de terceiro mundo que não aceita a democracia de saber ganhar e perder, resta-me apenas continuar na minha total alienação no que toca ao futebol.
Aqui não temos nem maus nem bons da fita. Temos dois clubes que falam a mesma linguagem decadente e anti-pedagógica.
Os clubes, como promotores de exemplos para a juventude, esquecem-se desta sua tão nobre função em troca da ganância pela vitória a qualquer preço... capazes de fazerem de um jogo uma autêntica guerra civil onde a constante crispação e ódio saltam para fora de uma bancada, atingindo o impensável...
Perdeu-se uma oportunidade...

domingo, 6 de março de 2011

conquistar o ouro na vida

Poucos sabem mas desde meados de Fevereiro que acumulo horário, leccionando numa outra escola em Lisboa.
A Escola dos Mestres é uma pequena escola que oferece à população a oportunidade de conclusão do ensino secundário através de unidades capitalizáveis. Por isso, tendo alunos das mais diversas origens e idades, as minhas aulas nessa escola são, maioritariamente, em horário pós-laboral.

Da imensa diversidade de alunos, um deles me chamou à atenção na passada quarta-feira.
Um rapaz, dos seus vinte e poucos anos, entra na sala e, de forma cordial, cumprimenta-me. O rapaz chamava-se Luis. Disse-me que tinha um problema grave (notório) de visão e, no caso de eu escrever alguma coisa no quadro, pediu-me para que ditasse o que havia escrito.
Ele trouxe um portátil e era exímio e rápido na forma como escrevia o que eu dizia, assim como revelador de uma profunda autonomia, ao reter apontamentos pessoais.

A aula correu bem. Tentei sempre certificar-me que o Luis tinha tudo o que era necessário e fundamental.
No fim, cumprimentou-me novamente e agradeceu a aula e o meu auxílio.
Saiu.

Na 6ª feira, quando entrava para dar uma aula, reparei numa fotocópia que sobressaía destacada no painel das informações. Nessa fotocópia, uma fotografia de um atleta, vestido com as cores nacionais, ilustrava uma notícia que dizia que o atleta Luis Gonçalves, de 23 anos e portador de uma grave deficiência visual, tinha conquistado o ouro na corrida de 400 metros nos mundiais de atletismo na  Nova Zelândia. 
Para além disso, o Luis é medalha de prata olímpica na mesma modalidade (Pequim, 2008).


Na realidade, tudo isto me deixou surpreendido mas, ao mesmo tempo, feliz por saber que o ser humano ainda tem um lado que consegue vencer tudo e todas as crises...
O Luis revelou-me o outro lado, com que eu não estava habituado a lidar. É um exemplo de vontade...
Parabéns, verdadeiro campeão! É um orgulho poder ajudá-lo a conseguir o ouro na vida...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

da ética no futebol

Não gosto de falar sobre futebol.
Gosto muito de futebol mas não perco muito tempo com ele.
Ao contrário do que se costuma afirmar, assumo-me como uma pessoa que considera o futebol como um fenómeno anti-social.
Apesar de parecer absurda esta minha ideia, acho que o ser-humano desperta todos os seus males e defeitos quando a conversa entra nos meandros do futebol.
Em vez de se fazer daquilo uma forma de exorcizar maus espíritos, o ser-humano transforma-se ele num hediondo espírito, roçando o ridículo e a falta de racionalidade.

Em alguns posts acerca do tema futebol, publicados anteriormente, referi o facto de, em Portugal, se dar demasiada importância ao mundo da bola.
Neste país, falar de futebol não significa falar do jogo em si mas discutir polémicas, ajuizar este, aquele e aqueloutro, como se cada um de nós fosse o pleno exemplo da virtus, da ética e da moral!

Considero que a rivalidade é positiva mas de uma forma saudável. O que em Portugal (e noutros países) não se assiste.
3 jornais desportivos diários
e mais não sei quantos outros, que têm igualmente um suplemento desportivo ,têm de ter mercado. Mais canais televisivos e radiofónicos que, para satisfazer as audiências, colocam o futebol em destaque absoluto!

Em Inglaterra, não encontramos imprensa escrita desportiva...

Tem de haver mercado para tanto futebol. Mas tem obviamente de haver notícias que justifiquem o poder que o futebol tem na nossa tão cultivada sociedade...
E por isso, as notícias têm de ser como as cerejas...


Serve este post para destacar a postura do treinador André Villas-Boas, do FC Porto.
Há umas semanas atrás, no rescaldo do encontro Guimarães-Porto, o jovem treinador dos dragões queixava-se de um lance polémico que poderia ter dado a vitória à sua equipa. Segundo Villas-Boas, o árbitro teria ajuizado mal a jogada.

Mais tarde, um painel de especialistas em arbitragem declarou, de forma unânime, o correcto juízo do árbitro Carlos Xistra.

Obviamente que o escândalo sucede quando Villas-Boas vem a público admitir o seu erro e dar razão ao árbitro. O país desportivo (às vezes custa-me encarar o futebol profissional como um desporto...) chocou-se com tão peregrina atitude de Villas-Boas!

O presidente do Benfica, Luis Filipe Vieira, no seu tom moralista e dono de uma inteligência de pneu, criticou Villas-Boas chamando-o de "idiota". Este senhor, que se assume como o paladino da verdade e moralidade desportiva, personaliza um discurso de baixo nível, passível de causar ainda piores consequências na rivalidade entre o Porto e o Benfica, que se repercutem muito para além do futebol.

Hoje, em conferência de imprensa, o treinador portista demonstrou uma clareza rara no futebol português: para além da nobre atitude de reconhecer o seu erro, Villas-Boas, quando confrontado com as calúnias de LFV e as ameaças feitas pelo presidente do Benfica de não comparecer no Dragão em caso de ataques à comitiva encarnada, respondeu de forma brilhante e inteligente: quem será mais idiota? Quem reconhece que errou ou quem está constantemente a ameaçar a não-participação numa determinada prova ou não-comparência num determinado jogo? Quem será menos inteligente? Quem reconhece, e não são poucos os que o fazem, ou quem apela à não comparência dos adeptos nos estádios?

Villas-Boas será campeão nacional este ano. E será de uma forma justa e merecida.
O FCP merece ganhar o campeonato pois tem demonstrado ser a melhor equipa.
Se os árbitros o beneficiam? E aos outros não fazem o mesmo? Quando muitos não acreditavam, vejam agora o rigor deste jovem. Por vezes, ser experiente não significa ter sucesso. Mas o que me traz aqui é a vontade de honrar a postura positiva de Villas-Boas. Demonstrou que, se quisermos, podemo-nos engrandecer de forma nobre sem perder a tal racionalidade e humanismo. Como ele disse, poucos teriam a ombridade de o fazer. Recordo Ársene Wenger (treinador do Arsenal) que, há uns anos atrás, pediu para que fosse repetido um jogo que havia ganho. Mas, após tanta suspeição e polémica em redor do desafio, pediu à Liga Inglesa para que o jogo fosse repetido para limpar todas as dúvidas.
E ganhou...

E Villas-Boas também já ganhou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

B de Burros; B de Broncos; B de Benfiquista

Mas será que num universo de tantos milhões de benfiquistas (como se apregoa para aí) não existe ninguém suficientemente credível para assumir uma candidatura viável, séria e honesta à presidência do Benfica?
Hoje vi finalmente os cartazes da candidatura de Bruno Carvalho, empresário do Norte e economista, que assume já a vanguarda de oposição à actual direcção encarnada. Parado no trânsito lisboeta, olhei para o lado e ainda pensei que se tratasse de algum livro ou dvd comemorativo do recente tetra-campeonato ganho pelo FCP. Mas não. Continuei a olhar e, para meu espanto, reparo que se tratava de um cartaz de propaganda ao mesmo senhor candidato, apostando numa lógica de ironia e sarcasmo para com o actual presidente, endossando mesmo os parabéns ao sócio do FCP nº17599 (aka Luis Filipe Vieira) por mais uma série de brilhantes vitórias azuis e brancas.
"Até quando os vamos deixar ganhar?", pergunta Bruno Carvalho. 
Até parece que as vitórias do FCP se devem ao facto de o Benfica andar pelas ruas da amargura em completo desnorte. Ajuda, sim senhor, mas não se poderá retirar qualquer mérito a uma equipa que materializa no campo toda uma irrepreensível estrutura de organização e rigor. 
Há um ano atrás (apesar de não me ter dado ao trabalho em reflectir aqui) falava com amigos meus acerca do que seria hipoteticamente a época 2008-09 do Benfica. Defendi que a solução para o Benfica não estaria na constante mudança de equipas técnicas e plantéis. Tratava-se de, acima de tudo, substituir mentalidades, há muito moribundas no seio do clube, e definir prioridades. Primeiro, havia que traçar um rumo de forma a estabilizar o clube, apostando em jogadores da formação e outros que trouxessem real mais valia para o Benfica, orientados por uma equipa técnica que pudesse sentir tranquilidade no exercício do trabalho para o qual foi contratada. Mesmo que o Benfica deixasse durante uns tempos de se assumir como candidato nas provas em que participava. 

Fui censurado!

Todos na altura disseram: "Epá, agora com o Rui Costa, com o "orelhas" de bico calado e o Quique é que vai ser!"
 Um ano depois, o tempo veio a dar-me razão. O Benfica não melhorou. Muito pelo contrário. Ninguém tem certezas de nada. Apenas uma certeza: o fracasso vai continuar a ser garantido. Se o orelhudo presidente do Benfica apelou à estabilidade, vejam que o que se passou foi exactamente o contrário:  Quique Flores já não serve, metade do plantel já não serve, este mandato já não serve e há que antecipar eleições (mas rápidas para que não haja tempo para se formarem listas de oposição).
O fracasso na próxima época é garantido e FCP e SCP agradecem. Mais um treinador que se vai queimar (e nem o seu nome poderá ser garantia de eventual milagre), mais um camião de jogadores (todos eles apriori craques!) chega ali à 2ª Circular para, daqui  a um ano, toda a gente se querer ver livre deles. E é esta a pescadinha de rabo na boca que define o Benfica dos últimos anos: instabilidade transversal a toda a estrutura do clube, falta de estratégia e falta de lucidez e bom senso dos seus dirigentes (desde empresários frustrados, a advogados criminosos, a bêbados e magnatas dos pneumáticos).

Penso que a culpa de tudo isto reside também, de alguma forma, no protótipo do adepto benfiquista: sonhador, irrealista e incapaz de ver com clareza aquilo que é elementar como a água. Ou seja, o típico adepto benfiquista é burro que nem uma pedra. Continua a ser levado em falinhas mansas e basta chegar mais um virtual craque à Luz para que os ainda três neurónios que restam sejam imediatamente espezinhados pela cegueira da bajolice.

Para terminar, penso que os portistas e sportinguistas (que realmente são adeptos de futebol) quereriam ver um Benfica mais competitivo, que lhes fizesse valer de forma mais saborosa os seus triunfos e dar uma melhor imagem do nosso "tão competitivo" campeonato.  Algo que creio ser raro nos adeptos dos três grandes em Portugal. Não me incluo aí.
 

quarta-feira, 8 de abril de 2009

jornais para limpar a peida...

Estava aqui a correr por blogs amigos e deparei com algo inacreditável mas obviamente óbvio, perdoem-me a redundância.
Como será possível, após o brilharete do Porto em Manchester, a imprensa desportiva dar destaque a isto que vocês podem ver aqui abaixo ? (...)

Compreendo a indignação dos adeptos/simpatizantes do FCP mas só isto lhes dará mais força para continuarem a ser das poucas (senão a única) instituições a mostrarem lá fora que neste país alguma coisa boa se faz.
Uma imprensa de merda é o que classifico. Infelizmente o Mantorras não marcou nenhum golo no treino do Seixal pois assim  até era menino para comprar a edição em papel do dito diário desportivo e emoldurar para me rir quando tivesse necessidade.
Realmente...isto faz-me pensar! Mas que jornalismo é este?
Parabéns ao Porto - cidade e clube - pela demonstração de seriedade, profissionalismo e mística em campo, quando muitos o quiseram abafar...
Odeio o Jesualdo Ferreira desde as suas bocas ao centralismo de Lisboa, aquando de uma entrevista a este mesmo diário desportivo (um homem que vivia ao lado dos meus pais e que sempre trabalhou em Lisboa e que foi muito deselegante).
Mas reconheço a superioridade portista cá dentro e lá fora, fruto dessa mística da bela e única cidade do Porto.
Como desejo tudo de melhor para o meu Goguinho, desejo que seja adepto do FCP!!!!  :) 

sexta-feira, 20 de março de 2009

taça da liga

A competição Taça da Liga tem sido desvalorizada tanto por dirigentes e adeptos. Os que estão na mó de cima afirmam que trata-se de uma competição para consolar aqueles que na mó de baixo se encontram. Por outro lado, o argumento quanto ao prestígio e tradição histórica é levantado por esses mesmos e outros. 
De uma forma mais séria, as barracadas quanto aos regulamentos definidos fizeram com que esta competição fosse ainda mais denegrida na opinião pública e organismos dos clubes, principalmente aqueles vitimados pelas mesmas confusões legislativas por parte de um dos organismos que tutelam o futebol em Portugal.
Felicidade ou ironia do destino, a segunda edição da competição traz este ano um saboroso derbie entre os dois maiores clubes portugueses (em termos de popularidade, claro está). Um Sporting-Benfica é um autêntico atenuante face a todos os problemas que esta prova tem sido alvo durante a presente época. E nem leões, nem águias querem desvalorizar o culminar da prova. Acima de tudo é um clássico apetecido...o maior de todos!
Desvalorizar ou maldizer, amanhã a equipa que vencer o troféu irá proporcionar enorme rejubilo aos seus adeptos e a equipa derrotada vai levar a que os seus adeptos façam escárnio da prova, afirmando que essa taça não valia nada mesmo!
Mesmo se ganhar o Sporting ou mesmo que seja o Benfica a sair vencedor, a prova será vista como secundária na tradição futebolística portuguesa por parte dos derrotados. Pois não tem historial e, numa visão economicista, apenas servirá interesses de grandes marcas. 
Azar dos azares! Um clássico! E é sempre um clássico...mesmo a feijões!!!!

Quique Flores chegou a Portugal no último Verão para treinar o Benfica. Muito se escreve acerca do treinador do Benfica: que, por metade dos erros que este senhor teima em cometer, um treinador português já teria sido demitido do cargo!
Uma coisa é certa. Este espanhol charmoso tem dado uma lição de cortesia e de saber estar de forma elegante num antro dominado pela podridão de discurso e por uma imprensa sedenta por encontrar formas de vender notícias e choques bombásticos. Portugal não está habituado a isto. Somos uma nação de gente cruel e sádica, eternizada por seculares frustrações por nunca olharmos, primeiramente, para o nosso metrinho quadrado. A imprensa do passado fim-de-semana ironizou e escarneceu Quique Flores quando este se mostrou solidário com Paulo Bento a seguir à goleada sofrida pelo Sporting em Munique. De forma realista e sensata, Quique relembrou que, quem anda no futebol, pode sempre estar na iminência de igual descalabro. Ironia do destino, as palavras de Quique não foram bem vindas pela deusa da Fortuna: o Benfica foi derrotado pelo Guimarães e Paulo Bento ultrapassou Quique, colocando justiça nos três primeiros lugares do campeonato. O Sporting é melhor que o Benfica mas o Porto é melhor que qualquer outro em Portugal!
Quique Flores é um grande homem. Enorme carácter. Assim como Paulo Bento que, embora o considerem exagerado nas suas opções ou na forma como encara o valor da disciplina, tem exercido enorme trabalho dentro do Sporting. Mas são dois feitios diferentes. Um é português, eternamente crispado com tudo e com todos. O outro é espanhol. Será isto factor cultural? Não sei! 
Espero que Quique Flores continue no Benfica pois tem feito um excelente trabalho! Sei que a equipa não joga bem, apresenta-se sempre aparentemente desmoralizada em campo e, com o plantel que possui, teria obrigação de corresponder a outro nível. Gosto dele como homem! Sei que o meu filho um dia vai gostar de futebol: não o pressiono quanto a questões clubísticas nem tenciono passar-lhe uma bola de futebol para os pés logo que ele começar a gatinhar... mas gostava que ele visse estes exemplos no futebol...não as "carolinas", as "frutas" ou demais "mergulhos para a área"! Tanto Bento, em termos de carácter e fiel às suas convicções, como Quique Flores, no seu temperamento moderado e de constante postura positiva quanto ao futebol, fazem falta a Portugal.

A meu ver, a final de amanhã é uma comemoração disto mesmo! Vale por isso tudo o que vale! 

domingo, 22 de fevereiro de 2009

cromo da bola


Como saudável adepto de futebol, avesso e contrário a clubites agudas doentias que nada favorecem o bom senso, venho aqui hoje prestar homenagem a um verdadeiro artista dos relvados: Liedson.

Venham-me com os Ronaldos e os não sei quantos e todas as estrelas que por aí brilham e reluzem entre cifrões infindáveis. Mas este brasileiro que alinha no Sporting é, sem dúvida alguma, um recital de espectáculo de cor, emoção e mestria na forma como marca e (acima de tudo) procura marcar. Onde outros não se mexem e desistem de procurar, o avançado do Sporting é criativo, brilhante e sabe polir uma jogada concluindo-a de forma sublime.

Ontem, mais uma vez, Liedson mostrou ao mundo do futebol o verdadeiro sinónimo de "cromo da bola": duas batatas ao Benfica (não descurando o golaço de Derlei) cheias de intenção e fantasia (isto é o meu Gabriel Alves Mode, como influência em tertúlias futebolescas).

Com todo o respeito que o Sporting me merece, não sei como é que este Senhor ainda não alinha num campeonato mais ao seu nível. Os sportinguistas esfregam as mãos e dizem "ainda bem".

Parabéns Liedson pelo teu (verdadeiro) futebol!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

eterno...

Com muita pena mas com ainda mais admiração presto a minha homenagem ao responsável por eu começar a gostar de futebol.
Hoje, João Vieira Pinto anunciou o abandono dos relvados após duas décadas como profissional.
Começou no Boavista, foi a Madrid durante uns tempos, esteve quase dez anos no meu Benfica, foi escorraçado (o que eu sofri, meu Deus) e vestiu com muita dignidade a camisola do Sporting. Já na curva descendente da carreira, voltou ao Boavista e, por fim, terminou de "vermelho e branco vestido" em Braga.
Numa carreira marcada por jogadas de génio e actos mais polémicos, JVP foi "Menino de Ouro", "Artista" e "Pai". 
Para a eternidade: os 3-6 em Alvalade, as assistências a Mário Jardel, o incrível jogo de raiva contra a Inglaterra em 2000 (logo após o vigarista Vale e Azevedo o ter dispensado do Benfica).
Fecha-se o ciclo da Geração de Ouro de Carlos Queirós (Figo será o último?) que foi campeã do Mundo de Júniores em Riade e Lisboa!
De um grande admirador e fã (mesmo quando envergou a camisola leonina): 
obrigado MENINO DE OURO!!!!!!!!!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

eterna pequenez


Assisti ontem, pela televisão, ao jogo da final do Euro 2008 entre espanhóis e alemães.
Entendo perfeitamente que os portugueses sintam enorme frustração de não estarem na final, como há quatro anos. Desde que o Scolari veio tomar conta da nossa selecção, a ambição portuguesa, em relação ao seu papel no futebol europeu e mesmo mundial, atingiu patamares e níveis de exigência nunca anteriormente exigidos. Parece que, de repente, toda a gente tirou o curso de treinador de bancada e passou a perceber de futebol.
O futebol é um jogo democrático: toda a gente o pode jogar, qualquer objecto (desde que minimamente manuseável e flexível) pode ser utilizado como uma bola, que não o tem de ser na realidade, para ser chutado, não obriga à compra de material caríssimo e apenas acessível a alguns e em qualquer metro quadrado se fazem duas “balizas” e se constituem duas “equipas” para jogar…

Desde que Portugal foi eliminado que eu apoio a Espanha: não pela proximidade geográfica e histórica, não por serem nuestros hermanos, não por desejar uma união ibérica, mas sim por simpatizar com aquela equipa. Vibrei no jogo com a Itália, fiquei feliz pela vitória contra outra selecção que eu apreciava e delirei com o banho de bola com que brindaram os alemães ontem à noite em Viena. Confesso que me emocionei ao ver o grande Iker Casillas a romper o protocolo com os reis de Espanha e a levantar a tão amada Taça!
Mereceram e, por isso, estão de parabéns!

Mas o que me traz aqui ao teclado do computador é a percepção portuguesa em redor do jogo.
Senhores da TVI que comentaram o jogo!!! Por favor!!!! Fartos de vitórias morais estamos nós!!!
Criticar a Alemanha e a Grécia (em relação a 2004) pelo futebol, adjectivado por vós, como cinzento e casmurro??? Parece que não se lembram do típico futebol português ao nível dos campeonatos nacionais e mesmo a participação das equipas em provas europeias!!!
O anti-jogo de muitos, o constante “atirar-se para a piscina” para ludibriar o árbitro de outros, agressões a árbitros por alguns e os estágios que mais pareciam bacanais!!!
A Alemanha fez o jogo que podia e sabia contra Portugal: nunca se assumiu como detentora do “melhor jogador do mundo capaz de resolver tudo e ganhar a todos”, teve sempre uma atitude profissional e ilustradora da típica forma de ser dos alemães: pragmatismo, organização e rigor. A Alemanha respeitou Portugal. Mas Portugal pensou que eram favas contadas!
Quanto à Grécia: não foi, em 2004, o futebol espectáculo mais apetecível! Como dizem os jogadores, o que interessa é o resultado, desde que obtido de forma lícita! Defendeu bem e soube contra-atacar de forma mortífera quando podia, sabendo das dificuldades!
Será que não se lembram da miséria de jogo que Portugal realizou na final do Estádio da Luz? Portugal falha nos momentos cruciais e por isso merece ficar no “quase”!
Se é para falar de futebol espectáculo, o que dizer da Holanda este ano?

O futebol é um jogo de arte e rigor! Por mais Nossas Senhoras dos Escaravelhos e bilhetinhos a la Escola Primária, enquanto não ganharmos mais cabecinha fria e rigor nestas alturas decisivas, seremos sempre o espelho da frustração!!
Por isso, irrito-me quando se tenta passar aquela escova resignada sobre as nossas frustrações para tentar lavar culpas e saborearmos vitórias morais.
Desde o simples facto de uma vitória da Alemanha na final proporcionar a Portugal a desculpa de ter sido eliminado pelo campeão ou, no caso de uma vitória espanhola (como veio a suceder), o triunfo do “perfume mediterrânico do futebol latino”!!!
Depois todo este neo-patriotismo parolo que assola, desde há cinco anos, o país: será que ser português honrado é uma obrigação apenas de dois em dois anos? E será que nos devíamos lembrar da necessidade de maior patriotismo quando fugimos às nossas obrigações para com a comunidade? Quando nos esquecemos de votar pois o dia está demasiado quente ou frio? Somos igualmente bons portugueses quando exercemos do nosso pleno direito à intrujice e ao cada um por si, sem olhar para o lado? Será que a exigência quanto à selecção não se devia reflectir numa atitude mais exigente para cada um dos portugueses, e não a eterna e típica cultura da mediania ?
Somos um país pequeno e essa dimensão não se mede pela densidade demográfica ou pela área territorial: mede-se pelo facto de constantemente chorarmos a reivindicar que temos o melhor jogador do mundo, ou o melhor treinador do mundo ou constantemente preenchermos o livro dos recordes do Guiness com aquilo que consideramos um sucesso único!!! E estarmos constantemente a estabelecer possíveis conexões a triunfos de terceiros, à espera que sejamos reconhecidos como superiores à nossa eterna pequenez!!!!
Como diria o Palma, “Ai, Portugal, Portugal! Do que é que tu estás à espera?”

quinta-feira, 19 de junho de 2008

ainda acreditam em d.sebastiões?

Agora que o Euro acabou para Portugal, vou tentar pôr toda a minha raiva, aqui, preto no branco!
Não estou enraivecido devido à eliminação de Portugal. Não é humilhante perder com a Alemanha, já não sei quantas vezes campeã da Europa e do Mundo.
Portugal devia ter-se lembrado que os alemães também têm a sua raça…não só cada português tem um Viriato dentro de si, mas também os alemães têm mais que isso: tradição da persistência, do trabalho metódico e racionalismo pragmático. Esta é a raça alemã, que se opõe ao nosso “fado” do improviso de um país estagnado, crente em milagres de Fátima e irmãs Lúcias ou mesmo em reis ou condestáveis que surgirão um dia para o país salvar…
Esse Rei era Scolari…este novo D.Sebastião é o puto-arrogante-espelho-desta-nova- juventude chamado Cristiano Ronaldo.
Portugal mais uma vez confiou no improviso de uma desgarrada à guitarra…numa aparição e esqueceu-se do método, do rigor e do empenho que caracteriza o outro lado adversário.
Bem, fomos eliminados. Como qualquer português, estou triste. Ao menos o futebol para mexer com este povo miserável e frustrado!

domingo, 18 de maio de 2008

lagartos...

Parabéns!

Para os meus amigos sportinguistas: Parabéns!!!
Mais uma vez ganham a Taça! E mais uma vez ao FC Porto (já agora parabéns também pelo Tricampeonato justíssimo)...!!!
Após a Supertaça e após a humilhante goleada imposta ao meu Benfica, Paulo Bento volta ao ZENITE!!!
Não vi o jogo.
Ouço carros a apitar nas ruas inundadas de verde e branco...


domingo, 27 de maio de 2007

PARABÉNS LAGARTAGEM!!!


Bem, há pouco mais de vinte minutos o Sporting lá conseguiu aquilo que, a meu ver (e penso que na grande maioria da opinião pública afecta ou não ao clube leonino), seria tão natural.

Apesar de ser benfiquista, não me circunscrevo a azias parolas de clubite aguda e tento sempre reconhecer o mérito quando ele existe...

O Sporting é aquele clube que qualquer benfiquista não gosta nada que ganhe. Ou melhor, no meu caso, nestas alturas eu fico sempre com uma dor de cotovelo pois o meu desejo não seria o Sporting perder mas sim ver o meu Benfica a ganhar. Mas não foi possível. Mérito dos adversários ou demérito nosso, lá ficámos mais um ano a ver os navios passarem.

Não vi o jogo da final da Taça. Afinal de contas não necessitaria de o ver. Tenho mais que fazer...
Mas o Sporting, penso eu, foi um justo vencedor.
Mesmo que não tenha jogado de um modo perfeito, mesmo se o Belenenses deu luta e mereceria pelo menos o prolongamento...penso que esta vitória de Paulo Bento e sus muchachos é inteiramente merecida pela excelente época que fizeram...pecando aqui e ali, prejudicados aqui e acolá, o Sporting, acima de tudo, mostrou o que qualquer boa instituição deveria mostrar: formação e aposta em grandes activos jovens; organização; vontade; querer; esforço, devoção, dedicação e glória tal como a sua lei fundamental/código de conduta o determina.


Quero endereçar aqui os parabéns ao Sporting Clube de Portugal pela sua excelente política de formação e de organização. Quero endereçar também aos meus amigos lagartos ( e isto é sincero) o desejo que apreciem esta vitória que, como atrás referi, embora não tenha assitido ao jogo, acredito, ser justíssima.

Quanto ao resto: valorizem o futebol dando-lhe o valor que ele merece; não fiquem fechados nessa azia atrás referida e honrem sempre quando a glória é, com mérito, alcançada.

E quanto ao meu Benfica: gostava de ver o meu clube a igualar o Sporting na sua gestão e formação; mas pelo que vejo; nem tentativas são feitas...

PARABÉNS A QUEM O MERECE!!!!