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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

o menino da rádio

Aquela voz grave e poderosa calou-se para sempre.
O contributo de António Sérgio para a rádio e para a música em Portugal é enorme, fazendo-lhe mesmo merecer uma estátua feita com todos os discos que ele deu a conhecer ao país.
Não querendo assumir este post como um simples famous last words que sempre tão bem fica nestas alturas, o António vinha-me sempre à cabeça quando pensava em música e rádio. Sem ele, nunca haveria um kick out em termos de cultura musical num país tão habituado a não acompanhar as vanguardas artísticas.
Com muita tristeza vejo partir alguém que sempre fará falta mas que, felizmente, deixa sementes (muitas delas já germinadas) para o papel importante que os media têm, não só para vender publicidade e tops, mas também para formar, dar a conhecer e criar rupturas.
Tive o prazer de o conhecer há alguns anos atrás quando lhe levei uma cassete com uma maquete acabadinha de gravar de uma banda que eu tinha. Não me despachou. Aliás, disponibilizou-se para a ouvir e, quando eu já ia para casa, pude ouvi-lo na rádio no carro, naquele tom de voz tão peculiar, a apresentar e dar a conhecer aquela minha música.
Tenho pena que tenhas partido. A Hora do Lobo desapareceu na onda média...

terça-feira, 7 de julho de 2009

pina bausch (1940-2009)

Numa época de enormes perdas no mundo artístico, seria ofensivo não relembrar também a coreógrafa/bailarina Pina Bausch, falecida muito recentemente.
Não sendo apreciador de dança ou bailado, tenho de reconhecer que o trabalho desta senhora alemã contribuiu, de forma decisiva, para as rupturas estéticas e sociais que a arte contemporânea evidenciou a partir das últimas décadas do século XX.
Se os anos 60 se traduziram naquela tão propalada revolução sexual, onde a mulher se assumiria cada vez mais como dona de si e do seu corpo, o trabalho de Pina Bausch agregaria toda essa nova postura de ruptura face a preconceitos sociais anteriores e ultrapassados...mas resistentes. Não sendo talvez a sua primária finalidade, é certo que a reformulação da dança por si defendida, a partir de uma ruptura com os cânones clássicos do bailado ou ballet de court, traria ao corpo da mulher a dignidade que ainda muitos teimavam em negar. A expressão do corpo no bailado de Bausch traduz emoções, sejam elas calmas, obstinadas, violentas ou delicadas. É no seu corpo que se encontra toda a magia do trabalho artístico enquanto acto comunicativo.
O corpo da mulher, como tela ou como paleta cromática, é onde se desenha e se pinta tudo o que se transmite.
Pina Bausch é hoje reconhecida como a criadora daquilo que se chama "Teatro-Dança". Sem falar ou debitar texto, o corpo tudo nos diz e nos apela.
Almodôvar, admirador das linguagens femininas no seu âmbito mais íntimo, não esqueceu o valor de Pina Bausch, incluindo até num filme seu um excerto de Café Muller; peça fundamental da autora.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

michael jackson (1958-2009)


Estou em choque com a notícia da morte de Michael Jackson!
Excentricidades e polémicas à parte, Jackson era já considerado como uma figura mitológica e imortal pelo seu carisma, inovação e sentido artístico. E nisto qualquer estreia de um videoclip seu tornava-se um happening à escala universal. São incontornáveis clips como "Thriller" (realizado por um dos mestres do terror, John Landis).
Afastado há alguns anos, a especulação acerca do seu estado de saúde aumentava. Por outro lado, escândalos que invocavam o seu nome poderiam justificar tal desaparecimento. Noticiou-se, entretanto, este ano um regresso aos palcos de Jackson.
Desaparece o homem. Fica a obra e todas as suas raízes. Adoremos ou odiemos, é inegável a sua importância. 
A Arte está a partir de hoje muito mais pobre... 


segunda-feira, 22 de junho de 2009

da educação?

Ouvi há dias...
Toda a gente se preocupa em deixar um planeta melhor para os nossos filhos...E quando é que toda a gente se preocupará em deixar melhores filhos para o nosso planeta?
E esta? Hein?

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

PAVAROTTI (1936-2007)



Fica aqui uma recordação de uma parceria de sonho... RIP Luciano

domingo, 26 de agosto de 2007

CURIOSIDADE ... HOLANDESA

A minha recente estadia na Holanda, para além de todos aqueles highlights descritos (não todos) no post sobre esta viagem, outros highlights me chamaram a atenção...apenas e só pelo facto de ser português, falar e pensar português e, acima de tudo, imaginar em português.
Toda a gente sabe que os holandeses foram pioneiros em termos de banca e sistemas de negócios e câmbios...os bancos holandeses são sobejamente conhecidos pela sua verticalidade, rigor e desempenho...
Agora reparem nesta instituição bancária...

Pois... tal e qual como eu pensei...imaginem o hipotético dia em que uma sucursal desta instituição bancária abra em Portugal...vamos começar a assistir a:

SLOGANS COMO: "Quem quer crédito vai ao Rabo"

OU SE CAI NO LÉXICO POPULAR: "Fui ali ao Rabobank..."

sábado, 7 de julho de 2007

HOMENAGEM AOS CURE!!!

Há concertos que, ao olharmos para trás, nunca esqueceremos. Não por termos estado presentes mas sim pelo contrário: por não termos podido assistir.
O caso que tem mais a ver comigo, e pelo qual ainda hoje sinto profunda tristeza ter só na altura 13 anos, foi o concerto dos The Cure no Estádio de Alvalade em Junho de 1989.

Pois é, há 18 anos a banda do carismático Robert Smith visitava , pela primeira vez, Portugal.
Nessa altura, a sombria banda estava a atingir o auge da sua carreira, muito devido ao lançamento de um disco que eu considero como uma das grandes obras-primas da música pop contemporânea: "Disintegration". Este disco tocou tantas vezes no meu gira-discos que hoje já se encontra gasto mas guardo-o com muito carinho, apesar de, mais tarde, ter comprado a versão em CD (com duas faixas extras). "Disintegration" foi considerado, na altura do seu lançamento, como uma obra de arte que é obrigatório conhecer. Sombrio, denso, negro e introspectivo, o álbum dos The Cure, em 1989, fazia um flashback a "Pornography" de 1982. As letras de Robert Smith são de uma magnitude ímpar, pela sua arte de descrever paisagens do interior mais profundo da alma e os ambientes criados pelos instrumentos são de uma leveza e atmosfera ímpares. É sem dúvida um disco que me fez gostar de música e tornar-me (ainda hoje) um fã desta banda (apesar de já estarem a atravessar a fase decadente da carreira).
Fica aqui o mítico clip de Lullaby (não aconselhável a quem tem aracnofobia) e, talvez, a música que melhor descreve este disco (que deve ser ouvido como um todo mas, na minha opinião, a versão em LP é mais bem conseguida)... Quanto a mim, resta-me esperar pela invenção de uma máquina do tempo que me leve de volta a esse dia e a esse local... ;)