terça-feira, 12 de junho de 2007

CARTA "PARA AQUI AO LADO"

Srs. Espanhóis,

Venho por este meio prestar sinceras desculpas pelos séculos de rebeldia e inconformismo que este meu povinho sempre mostrou face à vossa vontade de agregar este pequeno rectângulo da orla atlântica no vosso território.
Perdoem-me, em nome de muitos que começam a ter igual sentimento, os Afonsos Henriques, as Padeiras, os Braganças e todos aqueles que, por lapso ou mera falta de visão, se mostraram sempre contrários a que a nós nos chamassem espanhóis também.
Hoje, a esta distância, vejo que sempre que estes movimentos de autonomia territorial eclodiam, em que víamos sempre nisso uma profunda ameaça à nossa cultura, língua, história e portugalidade, reparo que vós, espanhóis, mantêm, ainda hoje, dentro da vossa integridade territorial, diferentes culturas, línguas, histórias e “tantas espanhas”.

Mas a diferença, queridos espanhóis, é que esses sentimentos nunca nos encheram a barriga. Recordo Júlio César, na sua “Crónica da Conquista das Gálias”, quando disse que “na Lusitânia, existe um povo, que de tão bárbaro que é, não se quer civilizar”…
E isto, queridos espanhóis, nunca ninguém terá dito tão valorosa e magnânima verdade em relação a esta pequenina tribo.
Quase nove séculos depois, em que estabilizámos, em Alcanizes, as mais antigas fronteiras, reivindicámos soberanias, independências e afins, continuamos na cepa torta, como o célebre imperador romano profetizava…
Uma tribo em que ninguém se entende…uma tribo com chefes gordos, traidores e que vivem à sombra de pequenas quezílias e historietas de vergonhosos golpes palacianos….
Uma tribo que nem o mar, que nos abriu novas portas, soube usar …
Uma tribo em que nem um terramoto que, quase miraculosamente, deitou tudo abaixo em sinal de urgente reconversão soube, de igual forma, aproveitar…
E nisso fizemos palácios com o ouro brasileiro, fomos luxuriosos pois os demais países também o eram e assim o queríamos ser…mas não olhámos para a realidade…os nossos governantes fugiram para o Brasil…mantivemo-nos na indecisão quanto ao futuro da nossa tribo por meras noveletas de portuguesice pura…depois não quisemos reis nem rainhas mas sim chefes que eram eleitos…e ninguém se continuava a entender…até que um senhor professor de Coimbra, lá chegou e nos travou aqui durante 40 anos…até que um cravo de um tanque de guerra foi disparado…e lá nos continuámos a debater e a debater…e vocês, queridos espanhóis, enquanto os cães, ao vosso lado, ladravam, a vossa caravana passava…
E eu sei, queridos espanhóis, que também vocês sofreram uma guerra civil entre irmãos, também viram na Europa o futuro…sei que um catalão não é um castelhano e que um basco é um basco e um galego não é um andaluz.

Eu sei.
E porque não um português ser como eles são, queridos hermanos?
Invejo-vos na vossa essência pragmática…no êxito anual de verem a vossa terra e tribo em constante progresso enquanto nós, aqueles que sempre vos recusaram por mero nacional-parolismo, definham neste sentimento nacionalista que, a meu ver queridos espanhóis, não faz qualquer sentido.
Será que é perconceito por nos chamarem espanhóis?
Cá por mim, façamos então a tão propalada união ibérica…juntemos a nossa variedade…fiquem com a nossa soberania e mandem daqui embora todos estes inúteis que, todos os dias, a todas as horas e por esta e todas as razões, nos vão ao bolso retirar tudo o que podem e dizem ter direito…venham para cá e garantam uma boa gestão de todos os recursos que aqui existem ou poderiam existir (sim, sim...o Cristiano Ronaldo também seria de todos nós)…como eu vos invejo…decidam de uma vez por todas onde é que este maldito aeroporto irá ficar e onde é que o TGV chegará pois assim será mais fácil ir daqui embora…daqui desta terra de OTArios!!!!!!!!!!


Por isso, queridos espanhóis, peço que nos perdoem, pelo menos da parte que me toca…

domingo, 10 de junho de 2007

FEIRA DA AGRICULTURA EM SANTARÉM

Ontem, sábado dia 9 de Junho, fui tocar a Santarém na Feira da Agricultura.
É, sem dúvida, um autêntico happening nacional pois todo o sector primário e secundário aproveita o certame para mostrar os resultados de uma produção anual (agro-indústria, pecuária, etc.). Outras marcas, como as de tractores e alfaias mecanizadas, estão presentes. É sem dúvida um grande acontecimento ligado à agricultura (sim, aquilo que todos os dias ouvimos e lemos que está pelas ruas da amargura).
Mas como não podia deixar de ser, festa portuguesa que se preze, tem de ter as míticas barraquinhas da gastronomia: o português comum, perante a ansiedade de um dia acordar sem nada para comer, aproveita estas alturas para se encher das mais variadas e saborosas iguarias regionais.

Tendas cheias, grelhadores cá fora, muito vinho e autênticas filas de espera para arranjar um lugar em que as famílias portuguesas (desde o bebé que chora sem parar e que obriga a mãe, à frente de toda a gente, a mudar a fralda ou os meninos, já em idade pré-escolar, que andam a brincar e, por vezes, "fogem" daquele cenário levando os pais a tomarem medidas coercivas como é aquele tabefe que deixa a criança a chorar desalmadamente, a fazer birra pois não quer comer a refeição pois, se calhar, gostaria mais de se empanturrar com o algodão doce ou farturas ou gelados que, como é óbvio, se vendem nas barraquinhas destinadas ao efeito), os avós que, contrariando as ordens médicas que obrigam a uma alimentação cuidada, estoiram ali a reforma e o que resta, para os medicamentos do mês, numa glamorosa refeição bem lusitana...
MEIA-NOITE...
Sou surpreendido pelo rebentamento do primeiro foguete...AH!!! Afinal era fogo de artifício...
A meu ver, aquilo é um autêntico fogo de atrofício...
Gostava de saber qual é a piada de ficar meia-hora a olhar para o céu a ver foguetes e confettis coloridos a explodir?
O português, por tradição, adora o fogo de atrofício, ou seja, ficar pasmado a atrofiar com o barulho ensurdecedor dos foguetes...
Quantos milhares pagam balúrdios para ir passar o réveillon à Madeira pois "diz que é o melhor fogo de artifício do mundo" ?
O Verão que leva o português, à noite, a saír à rua de carro e meter-se em filas de trânsito intermináveis (fazendo lembrar as nossas cidades em hora de ponta) só para ir à Baía de Cascais olhar para o céu a atrofiar com o fogo de atrofício e, depois, ir comer o gelado e voltar para casa...
Aquelas manhãs de Domingo em que estou tranquilamente a dormir e acordo, em alerta, com os foguetes que devem querer comemorar algum santo padroeiro do calendário litúrgico...
E depois queixam-se de levar com as canas...e aparecem as notícias das barracas, que armazenam os foguetes e a pólvora, que explodem com o calor do Verão provocando inúmeros incêndios e a culpa disto tudo é do governo pois não nos dá subsídios.

Voltando a Santarém.
Continuando na senda dos grandes espectáculos, sobem ao palco as tão tradicionais e portuguesas sevilhanas. Em cerca de 1 hora e meia, as senhoras e os senhores brindaram os presentes com danças andaluzas e sensualidade latina ao som ,não de um grupo de músicos flamengos mas sim...de um cd em que, cada música acabava em fade out (!!!!!!!!!!!!) não tendo, os bailarinos, solução coreográfica para rematar tão peculiar pormenor...
Gosto de ver os portugueses a vibrarem com o espectáculo das sevilhanas. Se fosse um rancho folclórico, se calhar ninguém iria ficar, tão morosamente, a assistir.

Na minha memória, fiz um flash-back e recordei a moda da dança do ventre que assolou, há uns anos, a mulher portuguesa na sua incessante busca pela sensualidade de contornos orientais...
Mas atenção este espectáculo decorreu junto às tendinhas dos shot's e bebidas em que, cada uma, punha a música mais alto que a outra quase num desafio pela questão da masculinidade medida pelo valor do décibel... (que vislumbrei na quantidade de autorrádios com carro incorporado presentes no recinto pois "pá, o tunning é um desporto também" (!!!!)

Ao longe, no tauródromo, milhares e milhares de pessoas tomavam os seus lugares para assistirem à largada dos vitelos assustados com o fogo de atrofício. Considero mais um desafio à masculinidade portuguesa ser um rabojador e fazer uma cernelha... Pobre animal!!!!
As primeiras ambulâncias chegam...disseram-me que um herói da arena foi trespassado pelo chifre em pontas de um touro...outros foram arremessados...alguns com pernas e braços partidos...
E diz o povo " e agora não há urgências...e a culpa é do governo...e estão a ir contra as tradições...e tal, e coiso e tal..."

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A LUTA CONTINUA...

ESTES GAJOS SÃO OS MAIORES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! GEL, ÉS COMPLETAMENTE "APANHADO" MAS TU É QUE DIZES AS "VERDADES"...como diz o magistral Gil Vicente, "ridendo castigat morris"

terça-feira, 29 de maio de 2007

ODEIO A PUBLICIDADE!!!!!!!!!!!!!!

Ontem fui ao cinema.
Jantei à pressa pois vi na net que a sessão que me interessava começava às 21.50.
Cheguei às 21.45 ao cinema, comprei os bilhetes e lá entrei na sala.
Tudo bem...compreendo os anúncios de futuras estreias, os apelos para o respeito das normas nas salas de cinema; tudo muito bem e aceitável...
O que eu não aceito é ser "obrigado" (após comprar o bilhete e avisarem-me que o filme está a começar) a aturar 25 minutos (!!!!!!sim!!!contei 25 minutos!!!!) de anúncios publicitários, após 10 minutos de trailers de futuras estreias (achei piada ao DIE HARD 4!!!!!!um hino ao verdadeiro cinema tipicamente americano)...
Contabilizando, o filme começou por volta das 22.45!!!!!!!!!!

Epá!!! Compreendo a publicidade na televisão (em canal aberto e não nos serviços pagos) pois podemos sempre fazer um zapping!!!! Mas ser "bombardeado" com tanta publicidade...ainda mais do que nos normais intervalos televisivos... e , acima de tudo, após pagar o bilhete!!!

Ahhh....fui ver os Piratas das Caraíbas 3...nada de extraordinário... continuo a achar que deveriam ter ficado pelo primeiro filme mas, como dizem os manuais de Economia, enquanto houver mama.... ;)

domingo, 27 de maio de 2007

14 EUROS

A minha piquena, aproveitando a visita dos pais e do irmão (e sua família) a Lisboa, foi passar a tarde de sábado a um sítio que, há muito tempo, eu desejo visitar: o ZOO de Lisboa!!!!

Pelas fotos que eu vi, aquilo vale muitíssimo a pena (apesar de eu não gostar de ver animais selvagens em cativeiro)!!!!!

Os adultos pagam 14 euros para entrar e podem disfrutar de uma tarde com bastante interesse lúdico!!!!

"14 €???????" (perguntar-me-ão alguns).

Sim! Se pensarem os "14 euros" que devem gastar para ir ver um jogo de futebol; os "14 euros" para ir ver um concerto; "14 euros" para ir para uma discoteca até às tantas para nos arriscarmos a mais "14 euros" de multa pelo excesso de "14 euros" gastos a mais...acho que vale a pena...


Um sítio mágico...aqui estão algumas fotos do que terá sido um belíssimo dia:




PARABÉNS LAGARTAGEM!!!


Bem, há pouco mais de vinte minutos o Sporting lá conseguiu aquilo que, a meu ver (e penso que na grande maioria da opinião pública afecta ou não ao clube leonino), seria tão natural.

Apesar de ser benfiquista, não me circunscrevo a azias parolas de clubite aguda e tento sempre reconhecer o mérito quando ele existe...

O Sporting é aquele clube que qualquer benfiquista não gosta nada que ganhe. Ou melhor, no meu caso, nestas alturas eu fico sempre com uma dor de cotovelo pois o meu desejo não seria o Sporting perder mas sim ver o meu Benfica a ganhar. Mas não foi possível. Mérito dos adversários ou demérito nosso, lá ficámos mais um ano a ver os navios passarem.

Não vi o jogo da final da Taça. Afinal de contas não necessitaria de o ver. Tenho mais que fazer...
Mas o Sporting, penso eu, foi um justo vencedor.
Mesmo que não tenha jogado de um modo perfeito, mesmo se o Belenenses deu luta e mereceria pelo menos o prolongamento...penso que esta vitória de Paulo Bento e sus muchachos é inteiramente merecida pela excelente época que fizeram...pecando aqui e ali, prejudicados aqui e acolá, o Sporting, acima de tudo, mostrou o que qualquer boa instituição deveria mostrar: formação e aposta em grandes activos jovens; organização; vontade; querer; esforço, devoção, dedicação e glória tal como a sua lei fundamental/código de conduta o determina.


Quero endereçar aqui os parabéns ao Sporting Clube de Portugal pela sua excelente política de formação e de organização. Quero endereçar também aos meus amigos lagartos ( e isto é sincero) o desejo que apreciem esta vitória que, como atrás referi, embora não tenha assitido ao jogo, acredito, ser justíssima.

Quanto ao resto: valorizem o futebol dando-lhe o valor que ele merece; não fiquem fechados nessa azia atrás referida e honrem sempre quando a glória é, com mérito, alcançada.

E quanto ao meu Benfica: gostava de ver o meu clube a igualar o Sporting na sua gestão e formação; mas pelo que vejo; nem tentativas são feitas...

PARABÉNS A QUEM O MERECE!!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2007

PARA QUANDO UMA GALA DA TVI????


Epá, esta história da menina inglesa já está a fartar!!!!!

Quando é que a TVI vai organizar uma gala com a nata da canção portuguesa (todos com um ar de tristeza e compaixão, unidos por uma causa nobre) para que o país (ainda mais) embruteça ao corrente de mais uma tragédia que se tornou o que a toda a hora vemos?

Eu tenho muita pena do sucedido...Compreendo a tristeza e a revolta frustrante...sem dúvida que compreendo. E mais...que pais é que deixam uma menina desta idade sozinha?

Mas pelo que eu vejo, isto já se está a tornar uma guerra aberta entre o disse que não disse dos media portugueses e britânicos; uma guerra economicista pelo turismo algarvio e estamos à beira dos exageros tipicamente portugueses de uma crónica azia em relação à Inglaterra...

50 ANOS DE EUROPA



Serve este post para fazer um balanço da acção da União Europeia (EU) , agora que se celebra o 50º aniversário do Tratado de Roma (25 Março de 1957) que marcou uma viragem decisiva no “Velho Continente”.
A ideia, preconizada pelo estadista inglês Winston Churchill, de uns “Estados Unidos da Europa” pretendia, num clima de profunda instabilidade e esforço de regeneração de uma Europa destruída por conflitos militares, opor-se, na realidade, ao crescente sovietismo nos territórios a Leste da Alemanha Federal (dividida a partir das conferências de paz de Ialta e Potsdam, em 1945, reconhecendo-se a cisão em 1949).

Usando as palavras do “velho bulldog britânico”, uma cortina de ferro desce desde o Báltico ao Adriático…é conhecida a grande luta ideológica levada a cabo pelas potências aliadas (EUA e Inglaterra) para evitar o alastramento da influência soviética na Europa, cada vez mais a Oeste. O preconceito capitalista e o reconhecimento (desde os choques económicos de 1929) que as democracias ocidentais apenas favorecem a minoria era ponto marcante na retórica e na ideologia lançada desde Moscovo, satelizando, então, os territórios libertados pela Rússia estalinista do jugo nazi.

Aos próprios EUA, interessava-lhes travar esse avanço vermelho.
O plano Marshall (pacote de auxílio económico aos diversos estados necessitados no contexto do pós-guerra) seria então alvo de grande crítica por parte da URSS…a americanização da Europa…os tentáculos do capitalismo americano…
A gestão desses capitais, tutelada pelos EUA, através da OECE (Organização Europeia para a Cooperação Económica) assinalava a vigilância para o interesse americano no saneamento económico e social da Europa.
Era o tempo da divisão do mundo em dois blocos; da criação de pesos e contra-pesos na geopolítica mundial: em 1949, a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e, em 1955, o Pacto de Varsóvia, estabeleceram institucionalmente o reconhecimento dessa divisão do mundo, alinhando países e zonas estratégicas de modo a afirmarem-se (EUA e URSS) como as potências mundiais.

Era o tempo da divisão, não só política e militar, mas também económica: a Benelux (organização de comércio livre entre Holanda, Bélgica e Países Baixos), o COMECON (a leste) e a reconstrução europeia, apoiada no Plano Marshall, a caminho de 30 anos de profundo crescimento sustentado no consumo de massa…

É neste âmbito que a CEE, designada primeiramente como Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA,1951), marca o princípio da ideia de Mercado Comum.

Em Roma, no ano 1957, neste cenário de Guerra Fria (quatro anos após a morte daquele que, a leste, foi considerado o paladino da luta anti-nazi, José Estaline, e um ano após a viragem de rumo encetada por Nikita Kruschev no bloco de leste), são assinados dois acordos: um económico, a CEE, e outro de carácter defensivo, o EUROATOM (Comunidade Europeia para a Energia Atómica) . Em 1959, o Reino Unido, não concordante com a ideia de Mercado Comum proposta em Roma, estabelece uma nova aliança de estratégia económica, European Free Trade Association (EFTA, que Portugal aderaria em 1960) que se desmarca da intenção dos 6 estados fundadores da CEE.


Portugal aderaria à CEE em 1985, já após sucessivos acordos-promessa assinados em 1972 (sim é verdade, antes do 25 de Abril), na lógica dos planos de fomento económico postos em prática pelo Estado Português.
Entre 1974 e 1985, Portugal teve de ganhar prática democrática…assegurar o pleno funcionamento das suas instituições democráticas e mostrar à Europa que confiava e que esta poderia confiar no acordo de adesão, respeitando os devidos pontos de convergência.
Sem dúvida que Portugal cresceu muito. Sou eu do tempo em que os brinquedos, fabricados em Portugal, me apareciam no sapatinho em Dezembro. Quem é que não se lembra da Famobil antes da Playmobil???? Pois é, eram feitos em Portugal!!! Quem é que não se lembra de ir a Badajoz fazer compras (caramelos e não só) dado o valor mais atractivo da peseta em relação ao escudo????

Portugal entra definitivamente na Europa Comunitária a 1 de Janeiro de 1986. Para trás ficavam muitos anos de atraso, talvez séculos (numa perspectiva de longa ou longuíssima duração). Os tempos era agora tempos de mudança: a esperança num “Shangri-la” do consumo, da valorização e da circulação em liberdade.
Os fundos monetários/comunitários logo começaram a vir: criaram-se estruturas, mudanças, empregaram-se ritmos para os quais o país (pensava-se…) estaria vocacionado…mas, ao mesmo tempo, descobrimos que, para além daqueles elefantes que vemos no National Geographic, existem outros elefante, aqueles que são brancos…descobrimos que muitos se favoreceram a si e a próximos…os grandes utilitários e desportivos começaram a acelerar nas nossas novíssimas artérias de asfalto que nos aproximavam da Europa dos 12…dos 15… …. … dos 25…e agora…dos 27!!!!

Depois veio a moeda única: a ideia não era nova. Já economistas, como John Maynard Keynes na primeira metade do século XX, tinham admitido os benefícios de uma moeda única mundial, o Bancoor, sujeita a acordos de valorização e desvalorização da divisa reguladas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Euro vê a luz do dia a 1 de Janeiro de 2002. Portugal estava nesse pelotão da frente, atendendo ao crescimento dos seus pares em Bruxelas, aguardava os benefícios deste grande momento.

E assim aguardaria…
E aguarda…
E continua a aguardar…
A pergunta de hoje é esta: que benefícios podemos, hoje, retirar do Euro? Da Europa? Uma Europa a 27 não será demais? Turquia: sim ou não?
Eu que, há 5/6 anos atrás, tomava um pequeno-almoço por 250$00, actualmente tomo o mesmo pequeno-almoço por 2,5€. A mentalidade portuguesa de uma conversão monetária assente na regra do mais simples/menos trabalho levou a que as pessoas olhem para uma moeda de 50 cêntimos da mesma forma como olhavam para as moedas de 50$00. Acontece é que esta inflação de 100% em 5 anos atirou-me para uma situação crítica. A mim e, penso eu, a muitos mais.
A juntar à inflação e perda do poder de compra (em termos de salários nominais e o salário real e o custo dos bens de primeira necessidade), o país está cada vez mais desiludido com a promessa da Europa. E porque é que estamos na cauda da Europa? Acima de tudo pois estamos sujeitos ao crescimento e flutuações da produção e riqueza dos demais países e, se olharmos para o lado, vemos um país que cresce ao ano aquilo que nós levamos uma década para fazer. Mas cresce de uma forma sustentada, isto é, segura.
O meu pai diz-me que o Euro é importante para que possamos, em Espanha e nos demais países, facilmente comprar as coisas sem ter de fazer o câmbio.
Mas parece que eu vou a Espanha todos os dias (!!!!)…eu quero saber no que é que a Europa está a contribuir no meu modesto dia-a-dia para a melhoria desse mesmo dia-a-dia.

Os juros a aumentarem conforme o Banco Europeu determina, para fazer face à valorização da moeda europeia junto ao dólar…Assim sendo, porque é que não vêm esses senhores para aqui governar? Para que é que precisamos de um governo português se , lá fora, estão os senhores que mandam…
Será que fizemos bem em entrar no Euro (não CEE)? A Inglaterra não entrou mas está na União. Teremos estaleca para competir nesse mercado cada vez mais alargado? Há condições para um actual alargamento a 27 e, com a entrada ou não da Turquia (como estratégia da geo-política mundial de ter um estado maioritariamente muçulmano representado em Bruxelas) ?
Por favor, quem souber que me diga...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O SITE DO MEU GATINHO

Pois é...cada vez gosto mais deste amigo que está aqui na foto comigo!!!
Para quem o quiser conhecer melhor, pode visitar este site !!!!!!

TOU VELHO!!!

FINALMENTE UM POST!!!!! Peço desculpa mas ando com tanto trabalho que o computador para mim torna-se aquele monstro que eu tento evitar quando posso!!!!!

Sexta-feira à noite...
Concerto de 2U no Wall Street em Oeiras.
Após o soundcheck e o jantar, fui até ao Passeio Marítimo de Algés assistir a uma actuação da banda do Espírito Santo (baixista dos 2U), os OIOAI, integrada na Semana Académica de Lisboa.
O cartaz era muito apelativo: 22h OIOAI, 23h Tara Perdida (sim essa mesma banda do ex-vocalista-dos-Censurados-punk-betinho-João Ribas-com muuuuuuitos quilos a menos) e para acabar os dinossauros do Rock Português (além dos UHF) os Xutos & Pontapés.
Cheguei ao recinto, com a respectiva credencial que me garantia tratamento VIP e apreciar as actuações no palco, se me apetecesse) por volta das 21h.
Durante a hora que antecedeu o espectáculo dos OIOAI, tive o prazer de conhecer os demais elementos da banda do meu amigo/colega Nuno Espírito Santo: o vocalista (cujo nome não recordo mas penso ser Pedro...) faz juz autêntico ao lugar de destaque que tem na banda: boa figura, irreverente e extremamente filosófico e introspectivo...o baterista (que é filho do Kalú, baterista dos Xutos) é, talvez, o mais metódico da banda...não haja dúvida que é ele que, em cima ou fora do palco, ele comanda o ritmo dos outros elementos e de tudo o que está á volta da banda.
Por fim, mesmo que não o quisesse, conheci (em boa hora) o guitarrista dos OIOAI: um sujeito que está fora da órbitra celeste,10.000 anos depois para além de Marte e Vénus, como dizia o Zé Cid...um chamado granda maluco, nunca está parado e, sem dar muita atenção ao que o rodeia, tudo para ele está no seu campo de visão e acção...

Gostei, especialmente de, mesmo à parte da banda, sentir aquele ambiente do nervoso míudinho que toma conta de um gajo quando, a cerca de dez minutos de entrar em palco, se ganha consciência que, de forma irreversível, temos de ir ali para cima, à vista de alguns milhares que pouco ou nada conhecem do que fazemos e, tentar conquistá-los...sentir que a Hora H chegou e que, ali em cima, no palco, estamos por nossa conta e que, no pouco tempo que temos, quase de favor, temos de dar o concerto das nossas vidas!!!!

E realmente, estes rapazes são muito bons ao vivo...boas canções...um rock directo aliado de uma lírica de traços simples e histórias que, a cada palavra que o vocalista solta, se sente veracidade expressiva: autenticamente cantigas de bater o côro, que me fizeram sorrir pois identificamo-nos com a simplicidade das mesmas histórias...
Musicalmente, os OIOAI mostram o que uma boa banda de rock deve mostrar logo na base: guitarras mais guitarras e uma secção rítmica fortíssima!!!! Bons e agradáveis momentos de fúria e de exorcismo da frustração da vida real, conciliados com baladas e ambientes mais country, à boa maneira de um Johnny Cash, Neil Young ou mesmo um Jorge Palma!!!!

Foram 45 minutos que valeram por muito: os OIOAI, cujo cd eu comprei (confesso, a princípio, por caridade- confesso, Espírito) tornaram-se agora uma certeza e, em boa hora, consegui ir vê-los actuar, logo num palco daqueles...

MOMENTO DE CHOQUE NA NOITE: percebi o quão velho eu estou dado, na minha periferia e raio de 500m, ver tanta malta que , se calhar, ainda nem foi dar o nome à tropa... e o prazer que eles têm em dançar, tal e qual como na minha altura, de forma selvática aos pontapés e empurrões!!!!! Mas foi bom...Inspirador!!!!!



Este é o vídeo do primeiro single (detesto a manobra comercial de dar uma banda a conhecer por uma música e não pelo todo) dos OIOAI!!!!!! SUSHI BABY!!!!
Se calhar é o tema mais conhecido mas aconselho a descobrir o resto do àlbum de estreia da banda e, a cereja no topo do bolo, vê-los ao vivo!!!!